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2026-03-18

Śraddhā Yoga Darśana: A Bhagavad Gītā como Matriz Filosófica da Contracultura e Horizonte Anti-Psicanalítico

Uma síntese para o horizonte do curso

A disciplina CMT014, ao longo de seu percurso, tem apresentado a Bhagavad Gītā como uma pedagogia da consciência — um ensinamento vivo sobre como ver, discernir e agir quando a vida nos coloca diante de conflitos que não podem ser evitados. Neste momento de nossa travessia, convém aprofundar essa compreensão, situando a Bhagavad Gītā em um horizonte mais amplo: o de um darśana — uma visão viva do real — cuja fecundidade se revela não apenas em seu contexto originário, mas também em seu diálogo com fenômenos centrais da modernidade ocidental, como a contracultura e a psicanálise.

2025-05-09

Entre Édipo e Arjuna: A Tragédia Grega e o Épico Indiano como Caminhos da Consciência

I. O destino e o coração

Há um ponto de convergência entre o Ocidente e o Oriente que permanece velado ao olhar superficial: o cruzamento entre a tragédia grega e o épico indiano. De um lado, Édipo Rei, de Sófocles; de outro, o Mahābhārata, com seu núcleo luminoso, a Bhagavad Gītā. Ambas as obras abordam o enigma do destino humano, ambas colocam o ser humano diante da dor, da revelação e do autoconhecimento. Mas o caminho que cada uma propõe é radicalmente distinto.

A tragédia busca a purgação (katharsis); o épico, a iluminação (prajñā). A primeira revela a impotência diante do fado; o segundo revela a liberdade possível a partir da confiança no coração (śraddhā).

2025-05-03

O Zen da Psicanálise e o Śraddhā Yoga: Entre a Sombra e a Transfiguração

Resumo

Este artigo propõe uma análise comparativa entre duas abordagens contemporâneas da espiritualidade e da subjetividade: de um lado, as vertentes mais espiritualizadas da psicanálise, aqui denominadas de forma sintética como "zen psicanálise"; de outro, o Śraddhā Yoga, fundamentado na Bhagavad Gītā e desenvolvido como disciplina sintrópica. Utilizando os mantras simbólicos "OM NAMO TANTRE" e "OM NAMO NĀRĀYAṆĀYA", investiga-se a distinção entre uma espiritualidade libidinal centrada no desejo e na sombra, e uma espiritualidade transfiguradora centrada na clareza interior e na ordem cósmica (Ṛta). O artigo dialoga com autores como Claudio Naranjo, D. Winnicott, C. G. Jung e Jacques Lacan, discutindo também os limites da psicologia transpessoal.

2025-04-27

A Psicanálise como Fruto do Ateísmo Judaico-Cristão: A Anti-Psicanálise como uma Expressão do Śraddhā Yoga da Bhagavad Gītā

1. Introdução — Entre o Divã e o Assento da Consciência

O surgimento da psicanálise, ao final do século XIX, marca um ponto de inflexão na história da relação do Ocidente com o sofrimento humano. Em um contexto de crescente secularização, onde o questionamento da fé e a ênfase na razão individual ganhavam força, Freud, neurologista e homem de seu tempo, transformou o antigo confessionário religioso no novo divã secular, transferindo o espaço da busca pela redenção para o espaço da análise do desejo reprimido.

A escuta clínica substituiu a absolvição sacramental, e a narrativa biográfica passou a ocupar o lugar do exame de consciência, embora essa substituição, talvez inconscientemente, carregasse consigo algumas das dinâmicas de busca por sentido e alívio da angústia. Este movimento de laicização das dores da alma, porém, permaneceu enraizado em uma ontologia materialista, herdeira de um contexto cultural pós-religioso que poderíamos denominar ateísmo judaico-cristão moderno em que a experiência transcendente perde centralidade e o Eu, isolado em sua subjetividade, sente-se perdido.

2025-04-25

Śraddhā Yoga Darśana: Viniyoga, Anti-Psicanálise e o Domínio da Luz Interior

“Quando sei quem sou, eu e você somos Um.​" 
(Hanumān, no Rāmāyaṇa)
Este artigo marca uma inflexão teórica no desenvolvimento do Śraddhā Yoga Darśana, ao apresentar os cinco pilares de heartfulness como uma via espiritual que transcende o paradigma psicanalítico moderno.

Em vez de tratar os conflitos interiores como pulsões que precisam ser interpretadas, o Śraddhā Yoga propõe uma práxis sintrópica que antecipa as quedas e orienta o ser à luz da verdade interior (Ṛta).

Articulando de forma original cinco fundamentos1 do Śraddhā Yoga – saṃkalpa, ṛṣinyāsa, viniyoga, satya tyāga e upasthāna  – , este ensaio ilumina também o ponto de interseção e ruptura entre bhakti e śraddhā, revelando como a confiança ardente e o sentimento intuitivo de certeza testada racionalmente (cogito) não depende da devoção à forma, mas da escuta silenciosa do Ser.