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2026-04-18

Śuddha Yoga e Śraddhā Yoga: Do Ancestral ao Manifestado na Bhagavad Gītā

Ensaio sobre a ontologia e a fenomenologia da convergência interior
O ancestral Śuddha Yoga tornando-se Śraddhā Yoga no coração de Arjuna.
Epígrafes

śraddhāmayo 'yaṁ puruṣo yo yacchraddhaḥ sa eva saḥ
“A pessoa é feita de śraddhā: ela é aquilo em que sua śraddhā consiste.”  
(BhG 17.3)

eṣa te 'bhitāḥ kāṅkṣito dharmo hy ātmano mama priyasya te
 “Este yoga ancestral hoje te revelo, porque és meu devoto e meu amigo.” 
(BhG 4.3, paráfrase do sentido)
Introdução: o problema da novidade

A Bhagavad Gītā começa onde tantas crises verdadeiras começam: numa paralisia que se apresenta como dúvida moral. Arjuna não quer lutar — mas não é simplesmente a violência que o detém. A raiz da crise é uma insuficiência de śraddhā. Ele não sabe em que confiar. Seu entendimento pessoal se desviou pelo apego ao fruto da ação, sob o efeito da ignorância em relação ao dharma supremo:
kārpaṇya-doṣopahata-svabhāvaḥ pṛcchāmi tvāṁ dharma-sammūḍha-cetāḥ 
“Minha natureza está ferida pela miséria interior. A mente confusa quanto ao dharma, pergunto a Ti.”  
(BhG 2.7)