O mundo é tal como nos parece, feito de coisas que não aparecem.
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| A projeção pode ser verdadeira sem esgotar o Real: o círculo e o retângulo pertencem ao cilindro, mas nenhum deles é o cilindro inteiro. |
Há imagens filosóficas que permanecem porque dizem, de modo simples, aquilo que a linguagem conceitual muitas vezes torna excessivamente abstrato.
A alegoria da caverna, em Platão, é uma dessas imagens. Prisioneiros acorrentados desde a infância veem apenas sombras projetadas na parede diante deles. Para eles, aquelas sombras não representam a realidade: elas são a realidade. O problema não está em ver sombras. As sombras também aparecem, movem-se, produzem efeitos. O erro começa quando a sombra é tomada como totalidade do real.
Algo semelhante ocorre em Planolândia, a fábula geométrica de Edwin A. Abbott. Um habitante de um mundo bidimensional, o Quadrado, é conduzido por uma Esfera à experiência da terceira dimensão. Pela primeira vez, vê seu próprio mundo de cima. Descobre que aquilo que, no plano, parecia fechado, limitado e absoluto, podia ser compreendido de outro modo quando visto a partir de uma dimensão mais ampla.
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