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2026-06-24

As Projeções Parciais do Real — Platão, Abbott e o Cilindro da Consciência

O mundo é tal como nos parece, feito de coisas que não aparecem.
A projeção pode ser verdadeira sem esgotar o Real:
o círculo e o retângulo pertencem ao cilindro, mas nenhum deles é o cilindro inteiro.

Há imagens filosóficas que permanecem porque dizem, de modo simples, aquilo que a linguagem conceitual muitas vezes torna excessivamente abstrato.

A alegoria da caverna, em Platão, é uma dessas imagens. Prisioneiros acorrentados desde a infância veem apenas sombras projetadas na parede diante deles. Para eles, aquelas sombras não representam a realidade: elas são a realidade. O problema não está em ver sombras. As sombras também aparecem, movem-se, produzem efeitos. O erro começa quando a sombra é tomada como totalidade do real.

Algo semelhante ocorre em Planolândia, a fábula geométrica de Edwin A. Abbott. Um habitante de um mundo bidimensional, o Quadrado, é conduzido por uma Esfera à experiência da terceira dimensão. Pela primeira vez, vê seu próprio mundo de cima. Descobre que aquilo que, no plano, parecia fechado, limitado e absoluto, podia ser compreendido de outro modo quando visto a partir de uma dimensão mais ampla.

2026-05-06

O Nascimento do Śraddhā Yoga Darśana

 Eṣā Śakti, Guṇamayī Māyā e a Inversão da Visão
Krishna concede a Arjuna a visão que atravessa a guṇamayī māyā:
o campo da ação começa a revelar-se como viśvarūpa.
O Śraddhā Yoga Darśana nasce de uma inversão da visão.

Essa inversão não inaugura uma doutrina nova no sentido externo; ela torna visível, na linguagem da Bhagavad Gītā, a fenomenologia do ancestral Śuddha Yoga: o Yoga puro, anterior às divisões de escola, que Krishna resgata no campo de Kurukṣetra como visão, ação e libertação.