Pessoa Fractal, consciência de classe e solidariedade sem fronteiras
Proêmio — Antes de qualquer categoria
Sou um ser humano. Posso exercer uma
profissão, receber um salário, integrar uma comunidade, participar de uma
organização ou defender uma causa. Nenhuma dessas condições, entretanto, diz
tudo o que sou. Ser trabalhador não esgota minha pessoa. Tampouco ser
proprietário, religioso, eleitor, homem, mulher ou integrante de qualquer
grupo. São posições reais na vida social; não são a medida última de minha
consciência.
Uma classe pode descrever a posição que ocupo em determinada estrutura econômica. Pode até defender interesses que compartilho com outras pessoas. Mas não pode reivindicar, por isso, a posse da minha voz. Não penso por procuração. Não entrego a uma identidade coletiva o direito de decidir, antecipadamente, o que devo perceber, desejar ou considerar justo.


