2026-10-27

A Universidade do Coração

Da presença que reconhece à palavra que serve

Universidade do Coração — a aprendizagem como presença e reconhecimento compartilhado.
Ilustração conceitual gerada com IA.

I. A Convivência como Campo de Aprendizagem

A Universidade do Coração encontra seu campo mais decisivo de aprendizagem na própria convivência: na maneira como escutamos, reconhecemos e respondemos aos outros. Ao ser convidado a compartilhar algumas lembranças de sua história e de minha convivência com Francisco Barreto, percebi que o principal desafio não estava em preparar uma fala, mas em cultivar a presença com que participaria do encontro. Tratava-se de estar disponível para escutar, acolher o que surgisse e permitir que as palavras nascessem naturalmente da experiência vivida, com a leveza de quem procura praticar aquilo que busca compreender.

2026-10-25

Quando o Nós se Torna Ego

Pessoa Fractal, consciência de classe e solidariedade sem fronteiras

Proêmio — Antes de qualquer categoria

Sou um ser humano. Posso exercer uma profissão, receber um salário, integrar uma comunidade, participar de uma organização ou defender uma causa. Nenhuma dessas condições, entretanto, diz tudo o que sou. Ser trabalhador não esgota minha pessoa. Tampouco ser proprietário, religioso, eleitor, homem, mulher ou integrante de qualquer grupo. São posições reais na vida social; não são a medida última de minha consciência.

Uma classe pode descrever a posição que ocupo em determinada estrutura econômica. Pode até defender interesses que compartilho com outras pessoas. Mas não pode reivindicar, por isso, a posse da minha voz. Não penso por procuração. Não entrego a uma identidade coletiva o direito de decidir, antecipadamente, o que devo perceber, desejar ou considerar justo.

2026-10-17

ŚRADDHĀ YOGA DARŚANA

Cinco termos axiais e sua inteligência filosófica

Os cinco termos axiais do Śraddhā Yoga Darśana dispostos em torno do hṛdaya — centro de reconhecimento, sem hierarquia ou sequência fixa.

O sūtra e a unidade da visão

Na Bhagavad Gītā, Krishna revela a Arjuna o Yoga ancestral (BhG 4.1–3). Ao longo desse saṃvāda (diálogo de revelação e discernimento), conhecimento, amor e ação convergem em uma unidade que não resulta de conciliação posterior entre caminhos espirituais separados: ela pertence ao próprio movimento do ensinamento. Śraddhā não equivale aqui à fé entendida como simples assentimento a uma crença. Designa uma confiança ontológica e existencial, constitutiva da pessoa (BhG 17.3), que pode ser cultivada, esclarecida ou obscurecida sob a influência dos guṇas (qualidades dinâmicas da natureza). É à luz dessa centralidade que reconhecemos a realização interior do Yoga revelado por Krishna. Śraddhā Yoga nomeia essa unidade vivida; Śraddhā Yoga Darśana, a visão que se revela no diálogo entre Krishna e Arjuna e cuja inteligência filosófica procuramos explicitar. Nomear essa unidade significa reconhecer aquilo que já se manifesta na Bhagavad Gītā.