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2018-07-12

O Quinto Puruṣārtha (Poder do Coração)

Como Identificar a Voz Oriunda dos Cinco Poderes do Coração?
Sermão da Montanha
Este artigo trata da interpretação sutil, presente no Mahābhārata, dos quatro Puruṣārthas1 (poderes do coração; aspirações humanas) da tradição indiana, subsumidos no quinto e pouco conhecido poder do Espírito, introduzido pelo Senhor Krishna na Bhagavad Gītā. O texto também discute como identificar a voz do coração, a fonte de autoridade que expressa esses poderes do espírito humano, convidando-nos a agir no mundo segundo a sua luz regenerativa e renovadora dos princípios e valores das distintas tradições culturais e religiosas.

2017-03-21

Convergindo para a Pura Morada do Ser (Mestre de Si Mesmo)

O Guardador de Rebanhos
Qual dos "eus" guarda o rebanho?
Pretendo refletir nos artigos deste capítulo sobre algumas das questões filosóficas abordadas no Mahābhārata e na Bhagavad Gītā e descrever como fui aprendendo, na prática, a exercer a escuta desta voz interior a quem Fernando Pessoa chamava de Alberto Caeiro, o seu mestre – "Mestre, meu mestre querido! Coração do meu corpo intelectual e inteiro!" Conforme o próprio Fernando Pessoa esclarece em Carta a Adolfo Casais Monteiro, em 13 de janeiro de 1935, "o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro", "foi o dia triunfal da minha vida".  Assim surgiu o seu consagrado O Guardador de Rebanhos.

2021-07-06

A essência do Mahābhārata e da Bhagavad Gītā em 108 proposições

O Mahābhārata1 estabelece a filosofia do coração em torno de quatro Puruṣārthas, ou poderes do coração, explicitados no próprio corpo do texto (MBh 1.2.83). No episódio da Bhagavad Gītā Arjuna mostra-se, inicialmente confuso, sem ânimo, motivação e coragem (śraddhā). Ele não sabe como resolver o seu dilema, elucidado por Krishna ao longo do texto. Krishna argumenta que, em cada instante, somos constituídos em conformidade com a nossa śraddhā (o sentimento sintrópico, a certeza interior e o altruísmo biológico, frutos do amor em ação), a bússola que orienta o desenvolvimento da nossa capacidade sintrópica de convergir, agindo com conhecimento e amor, para o coração. Como se dá este processo? Esta questão, introduzida no vídeo abaixo, está respondida nas 108 proposições discutidas a seguir. Dramatizada ao longo de todo o Mahābhārata, e conceituada no diálogo da Bhagavad Gītā, a Filosofia do Coração funda-se na escuta amorosa do sentimento sintrópico que expressa o nosso altruísmo biológico, ou  śraddhā. Este revela-se a partir do esforço de harmonizar as vias, contrárias e mutuamente excludentes, da ação e do conhecimento (jñānakarmasamuccaya-vāda). 

2019-01-07

Qual o papel da Bhāṣyopetā de Haṃsa Yogi na tradição da Bhagavad Gītā?

A Khaṇḍa-Rahasya de Haṁsa Yogi: uma análise sobre a Mística da Bhagavad Gītā
Os Śuddha Acharyas R. Vasudeva Row, Dr. Sir. S Subramania Iyer e Pandit K. T. Sreenivasacharya, oriundos, respectivamente, dos três principais sistemas filosóficos do vedānta: Dvaita (dualismo de Madhva), Advaita (não-dualismo de Shankaracharya) e Visishtadvaita (não-dualismo qualificado de Ramanuja).


















Pretendo discutir neste artigo duas questões relacionadas com a tese "Śraddhā in the Bhagavad Gītā" (2007). A primeira refere-se às razões para não ter considerado diretamente no corpo da tese o texto da  Bhagavad Gītā editado pela Śuddha Dharma Maṇḍalam1. A segunda questiona a relevância das discussões geradas em torno desta nova recensão da Bhagavad Gītā. Em linhas gerais, pode-se afirmar que a polêmica gerada por esta nova versão da Bhagavad Gītā constitui um "pseudo-problema", ocasionado pela publicação desse extrato do seu "comentário-guia" da Bhagavad Gītā, intitulado Śrī Bhagavadgītā Bhāṣyopetā, que apresenta, para efeitos de sua análise (Śuddha Sāṃkhya) e síntese (Śuddha Yoga), uma ordem de versos e capítulos distinta da usual.

2026-07-26

A PERFEITA ALEGRIA — De Śreyas a Ānanda: a Ação Contemplativa como o Gosto de Ṛta

A alegria não nasce da adversidade, mas da consonância do gesto que,
mesmo após a tempestade, devolve passagem ao fluxo do Real.
Abertura

Há um momento do caminho em que o melhor precisa ser escolhido contra o agradável. A Kaṭha Upaniṣad distingue śreyas, aquilo que verdadeiramente conduz ao bem, de preyas, aquilo que imediatamente agrada. Ambos se apresentam à pessoa, mas não a conduzem ao mesmo destino. A maturidade começa quando se aprende a reconhecer sua diferença e a conceder precedência ao melhor, mesmo quando isso exige esforço, renúncia ou transformação.

Essa precedência constitui uma das raízes da disciplina sintrópica. Enquanto a consciência permanece submetida à atração imediata, o agradável tende a converter-se em critério da ação. O desejo pergunta primeiro o que satisfaz; o discernimento pergunta o que orienta. Meditar significa, nesse estágio, interromper a captura, sustentar a atenção e permitir que śreyas seja ouvido antes que preyas determine a escolha.