2023-01-29

A Origem das Práticas de Meditação na América Latina

Ana Huguet
Convite (1917)
 O Início de Tudo

Poucos sabem que a história da arte e da ciência da meditação na América Latina começou no Chile, quando, em 1917, a senhorita Ana Huguet, Presidente do ramo Arundhati da Sociedade Teosófica no Chile, convida alguns colegas para iniciarem um estudo da coletânea de artigos publicados por S. Subramania Iyer na revista The Theosophist (serie editada em espanhol com o título de Una Organización Esotérica en la India, por Swami Subrahmanyananda - Dr. Sir S. Subramanier (K. C. L. E.) LL. D.).

2022-12-17

Śraddhā Yoga e a Estrutura da Meditação: Bhāvanā, Dhyāna e Bhāvana

Não importa a pergunta. O amor é a resposta do Ser.
Introduzimos a discussão sobre as origens e o desenvolvimento da arte e da ciência da meditação a partir da reflexão de Krishna na Bhagavad Gītā sobre o significado do praṇava1 AUṂ. Foi este pressuposto que nos permitiu formatar a nova disciplina sobre a contemplação a partir de três metáforas e três mantras principais: (1) a metáfora dos dois pássaros; (2) a metáfora do cisne; (3) a metáfora da quadriga; (4) o mantra AUṂ (OṂ); (5) o mantra Haṃsa; e (6) o mantra OṂ NAMO NĀRĀYAṆĀYA. 

O praṇava AUṂ simboliza o modo conforme o universo (saṃsāra) se origina e permanece em Brahman. Ele condensa o conteúdo dos principais aforismos (mahāvākyas) da literatura védica, em especial, aqueles que constam da Chāndogya Upaniṣad: “sarvaṃ khalv-idaṃ brahma” – "Tudo isto é o Ser" (ChU 3.14.1) e “Tat tvam asi ” – “Tu próprio és o Ser" (ChU 6.8.7), que fundamentam a estrutura epistemológica dos argumentos de Krishna no texto.

2022-08-28

O significado da Gītopadeśa

Como reconhecer a verdade e os mestres? Como alcançar a percepção do Ātman? A Bhagavad Gītā expressa esse método de reconhecimento que, a um só tempo, valida e transcende o antigo método védico, fundado: (1) na escuta (śravaṇa), (2) na reflexão (manana) e (3) na reiteração meditativa da reflexão (nididhyāsana).

A figura conhecida como Gītā-Upadeśa, ou melhor, Gītopadeśa, revela a essência da Bhagavad Gītā. O entendimento de que espiritualidade representa algo que transcende a mera esfera religiosa é a marca característica da Gītopadeśa. Ela mostra a Bhagavad Gītā como expressão da metáfora da unificação dos dois pássaros descritos no Ṛigveda (1.164.20), na Muṇḍaka Upaniṣad (3.3.1) e na Māntrika Upaniṣad. Expressa, portanto, como desenvolver o discernimento, ou a visão espiritual (Divyacakṣus), por meio da arte e da ciência da meditação. A Gītopadeśa mostra o Senhor Krishna e Arjuna sentados na quadriga puxada por quatro corcéis brancos. A quadriga simboliza a mente e o corpo humano; Arjuna, a consciência individual (o “si mesmo”, o ser individual, o jīva) condicionada pelo processo objetivo do mundo (saṁsāra); e Krishna, o Espírito que exerce o controle das rédeas, ou da mente emocional (com jurisdição sobre os sentidos). Quando o ser individual (Arjuna, Nara) se deixa dirigir pelo Supremo Espírito (Krishna, Nārāyaṇa), presente em si mesmo, avança pelo caminho que nos conduz do saṁsāra ao nirvāṇa. Esta metáfora, conhecida como Gītopadeśa, representa a síntese da Bhagavad Gītā a partir de sete versos (conhecidos como Saptaślokī Gītā ou a Gītā de Sete Versos: BhG 2.2, BhG 2.3, 2.11, 18.61, 18.62, 18.64 e 18.66).