2023-06-06

O Sentimento Sintrópico (Śraddhā) do Espírito Humano (Ātman) e a sua Relação com a Razão (Buddhi e Manas) na Produção da Ciência Contemporânea (II)



II. A Ciência Termodinâmica e a Origem da Vida

A Ciência Termodinâmica, que se ocupa do rumo que as coisas tomam na natureza, nasce no século XIX em função da necessidade de se explicar o funcionamento das máquinas a vapor. Em 1824, o engenheiro francês Sadi Carnot (1796-1832) estabeleceu, matematicamente, como se daria a conversão de calor em outras formas de energia. Em seu trabalho intitulado “Reflexões sobre a Potência Motriz do Fogo” ("Réflexions sur la puissance motrice du feu") ele introduz o conceito do ciclo de Carnot - um modelo teórico idealizado de um motor de calor que opera entre duas fontes de temperatura, uma quente e outra fria. O ciclo de Carnot, contudo, só explica o balanço energético das máquinas em circunstâncias idealizadas (envolve quatro fases: expansão isotérmica, expansão adiabática, compressão isotérmica e compressão adiabática), descoladas da realidade. Diferentemente do previsto no ciclo de Carnot, os ciclos reais não apresentam a propriedade de serem termodinamicamente reversíveis.

O Sentimento Sintrópico (Śraddhā) do Espírito Humano (Ātman) e a sua Relação com a Razão (Buddhi e Manas) na Produção da Ciência Contemporânea (I)

I. Mapeando o surgimento da Cultura Sintrópica no Brasil

Gostaria que este ensaio fosse lido apenas como um capítulo de um diário antropológico, ou seja, como um registro pessoal de observações, reflexões e análises oriundas do convívio de mais de quarenta anos com Francisco Barreto, o fundador e Instrutor do antigo Ashram Ātma. Ele se destina, tão somente, a oferecer o contexto e os processos culturais envolvidos no desenvolvimento da práxis sintrópica, definida anteriormente, que nos animava. A sua relevância está, precisamente, no fato dele mapear o nascimento e o desenvolvimento de alguns elementos da cultura sintrópica no interior de uma pequena comunidade, localizada em Aracaju – SE e dedicada à prática do Śuddha Yoga. Este ensaio reflete, basicamente, sobre as discussões que tínhamos no Ashram, no final dos anos setenta e início dos oitenta, e que fizeram despertar o interesse do grupo sobre o papel do conhecimento da realidade material para o progresso espiritual do indivíduo e da sociedade. Ele dá sequência ao texto anterior do presente capítulo e discorre sobre o contexto em que a práxis sintrópica do Śuddha Yoga fora ali vivenciada. Ilustra também como o Sentimento Sintrópico (Śraddhā) do Espírito Humano (Ātman) se relaciona com a Razão (Buddhi e Manas) na produção da boa ciência.

2023-05-22

A Cultura Sintrópica e o Espírito, este desconhecido

O mundo é tal como nos parece,
feito de coisas que não aparecem.

Conforme explico mais detalhadamente ao longo dos capítulos seguintes, logo que conheci Francisco Barreto, em 1979 fui convidado a experimentar mais profundamente a forma de viver proposta no Śraddhā Yoga, muitas vezes chamada de “espiritualista”, por falta de um melhor nome, mas que, na verdade, integra e unifica as experiências do universo fenomenológico, dando igual peso à matéria e ao espírito. O Śraddhā Yoga, em seu nível mais profundo, não nos convida a assumir, nem uma postura teísta, nem ateísta, mas aquela oriunda de se compreender o equilíbrio sintrópico destes dois níveis de percepção de uma mesma realidade: o nível entrópico (rajásico e tamásico) do mundo, experimentado como saṃsāra; e o nível sintrópico (sáttvico) desta mesma realidade “material”, experimentado de forma espiritual e laica como nirvāṇa.