Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta OṂ Haṃsaḥ So’ham Yogeśvarīṃ Hrīṃ Svāhā. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta OṂ Haṃsaḥ So’ham Yogeśvarīṃ Hrīṃ Svāhā. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

2026-06-13

O Despertar Ontológico

A Sādhana do Instante e a Meditação no Instante
Sempre que os sentidos se recolhem ao eixo, o Real oferece um novo despertar.
Há um instante quase invisível entre o sono e o dia.

Antes que os olhos se abram plenamente, antes que a mente recupere suas tarefas, antes que o nome, a biografia, as preocupações e os desejos reassumam o comando, algo já está presente. Não é ainda pensamento. Não é ainda decisão. Não é ainda vontade. É a presença nua da consciência antes de ser capturada pelo mundo.

Esse instante é breve. Às vezes parece menor que um segundo. Chamamos aqui, por imagem, de “milissegundo”: não uma medida cronológica exata, mas a indicação de que algo decisivo ocorre antes que a mente se reorganize e reassuma, quase automaticamente, o governo da atenção.

Esse limiar possui valor decisivo: nele, o dia pode nascer a partir do automatismo das vāsanās ou a partir do reconhecimento silencioso do hṛdaya, o coração espiritual profundo onde reside a centelha divina como espírito (antaryāmin).

2026-06-16

Heartfulness — A Sādhana do Instante e a Disciplina Formal do Hṛdaya

Retorno, aprofundamento e vida contemplativa no eixo do hṛdaya
Entre o instante que desperta e a disciplina que recolhe, o hṛdaya permanece como eixo.
Nota de desambiguação. Neste portal, conforme desenvolvido ao longo dos ensaios do Śraddhā Yoga Darśana, “heartfulness” é usado em sentido próprio: a partir da leitura contemplativa da Bhagavad Gītā e do hṛdaya como centro cognitivo e ontológico da consciência. O termo não designa filiação institucional ao movimento contemporâneo homônimo. Aqui, heartfulness nomeia a recondução da atenção, da respiração, do pensamento, da palavra e da ação ao coração lúcido, onde śraddhā reconhece a presença orientadora do Real antes de sua tradução pela mente.
Heartfulness, no Śraddhā Yoga Darśana, não é apenas “meditar no coração”. Também não é uma técnica de interiorização afetiva, nem uma variante devocional de práticas meditativas já conhecidas.

Heartfulness é a vida reconduzida ao hṛdaya.

O coração, aqui, não designa emoção, sentimentalidade ou intuição vaga. Hṛdaya é o centro cognitivo e ontológico da consciência: o lugar interior onde o Real é reconhecido antes de ser explicado. A mente pode depois discernir, organizar e agir; mas sua função própria é traduzir, não substituir, essa orientação originária.

2025-09-13

Śraddhā e Kāma: A Regência da Shakti nos Cinco Corpos Sutis e nos Chakras

Uma Análise do Sagrado Feminino e da Energia Shakti à Luz da 
Bhagavad Gītā, Yoga Sūtras, Anu Gītā e Kāma Sūtra

Nota editorial de grafia
: neste artigo, optamos por shakti e chakras (grafias correntes em português), mantendo os demais termos sânscritos em IAST (ex.: kośa, kuṇḍalinī, suṣumṇā nāḍī, Ājñā, Anāhata, Ṛta). Adotamos Krishna (grafia consagrada) em vez de Kṛṣṇa.

INTRODUÇÃO 
A Alquimia do Desejo Sagrado e o Falso Dilema entre o Lótus e o Corpo

No coração da experiência humana, pulsa um antigo e persistente paradoxo: a aparente cisão entre o caminho da transcendência e o abraçar da nossa natureza imanente. De um lado, o lótus do espírito, símbolo da pureza, da renúncia e da busca ascética por uma realidade para além do véu da matéria. Do outro, o corpo, o domínio do desejo, da paixão e dos impulsos naturais que nos ancoram firmemente à terra e à nossa biologia. Esta dicotomia legou-nos um legado de conflito interior, pintando a espiritualidade como uma negação do corpo e o desejo como um obstáculo à iluminação. O Śraddhā Yoga, no entanto, questiona se esta separação é uma verdade fundamental da existência ou, talvez, a mais profunda e trágica das incompreensões sobre a força que nos anima: a energia primordial que a tradição védica chama de Shakti.