2026-03-18

Śraddhā Yoga Darśana: A Bhagavad Gītā como Matriz Filosófica da Contracultura e Horizonte Anti-Psicanalítico

Uma síntese para o horizonte do curso

A disciplina CMT014, ao longo de seu percurso, tem apresentado a Bhagavad Gītā como uma pedagogia da consciência — um ensinamento vivo sobre como ver, discernir e agir quando a vida nos coloca diante de conflitos que não podem ser evitados. Neste momento de nossa travessia, convém aprofundar essa compreensão, situando a Bhagavad Gītā em um horizonte mais amplo: o de um darśana — uma visão viva do real — cuja fecundidade se revela não apenas em seu contexto originário, mas também em seu diálogo com fenômenos centrais da modernidade ocidental, como a contracultura e a psicanálise.

2026-03-10

Identidade Quântica

O problema do eu — ciência e darśana em diálogo

Há um momento na história do pensamento em que ciência e espiritualidade deixam de caminhar em direções opostas e começam a inclinar-se uma para a outra. Este ensaio nasce desse ponto de convergência: o lugar onde a física quântica, a matemática contemporânea e a metafísica védica se reencontram para iluminar um mesmo mistério — o que é o Eu? O que significa ser "um indivíduo"? O que quer dizer "sou eu"?

A resposta intuitiva — tão comum quanto frágil — é que o indivíduo seria uma unidade indivisível, autoidêntica, contínua e separada. Mas nada disso resiste à investigação séria, seja ela científica ou contemplativa.

A física derruba a noção de indivíduo.
A matemática derruba a noção de identidade.
A meditação derruba a noção de "eu".

O Coração como Expressão de Ṛta

No limiar da maturidade espiritual, a relação entre interioridade e cosmos deixa de ser metáfora e torna-se reconhecimento. O praticante então percebe que o centro de sua própria consciência — aquilo que as tradições chamam de coração espiritual — não é símbolo, emoção ou figura poética, mas a forma humana de Ṛta: a ordem viva, o ritmo universal, a inteligência silenciosa que sustenta a totalidade. 

Esse coração não é sentimental. É estrutural. Ele não reage — reconhece. Não se comove — discerne. Não imagina — ressoa com o real.