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2026-08-05

MAHĀBHĀRATA COMO MACRO-SATSAṄGA

Saṃvāda, Śraddhā e a Escuta que se Torna Ação

O Mahābhārata como macro-satsaṅga: saṃvāda é o campo em que palavra, silêncio e olhar se tornam formas de escuta do Real. Quando śraddhā está presente, o coração reconhece antes que a mente formule.

1. Além do satsaṅga passivo

A palavra satsaṅga tornou-se familiar nos ambientes contemporâneos de espiritualidade indiana. Ela costuma evocar uma reunião em torno de um mestre, a escuta de uma exposição, a recitação de mantras, o canto devocional, a meditação coletiva ou a oportunidade de formular perguntas a alguém reconhecido como guru.

Essas formas podem ser legítimas. Podem preparar o coração, aquietar a mente e criar uma atmosfera favorável ao reconhecimento. Mas nenhuma delas, isoladamente, garante que tenha ocorrido verdadeiro satsaṅga.

2026-04-08

Wu Wei e Naiṣkarmya — A Ação que Não Prende

(Taoísmo, Bhagavad Gītā e a práxis sintrópica do gesto justo)
Entre o fluxo e o eixo: a ação que não prende.
Primeiro, Ser; depois, Fazer; e só então, Dizer.

Há tradições que iluminam o real pelo conceito; outras, pelo silêncio. O Taoísmo pertence a esta segunda linhagem: ele não explica o mundo — escuta-o. No centro de sua sabedoria não há um método de salvação, nem uma ontologia da negação, mas uma confiança radical no fluxo do real, chamado Tao.

2021-07-06

A essência do Mahābhārata e da Bhagavad Gītā em 108 proposições

O Mahābhārata1 estabelece a filosofia do coração em torno de quatro Puruṣārthas, ou poderes do coração, explicitados no próprio corpo do texto (MBh 1.2.83). No episódio da Bhagavad Gītā Arjuna mostra-se, inicialmente confuso, sem ânimo, motivação e coragem (śraddhā). Ele não sabe como resolver o seu dilema, elucidado por Krishna ao longo do texto. Krishna argumenta que, em cada instante, somos constituídos em conformidade com a nossa śraddhā (o sentimento sintrópico, a certeza interior e o altruísmo biológico, frutos do amor em ação), a bússola que orienta o desenvolvimento da nossa capacidade sintrópica de convergir, agindo com conhecimento e amor, para o coração. Como se dá este processo? Esta questão, introduzida no vídeo abaixo, está respondida nas 108 proposições discutidas a seguir. Dramatizada ao longo de todo o Mahābhārata, e conceituada no diálogo da Bhagavad Gītā, a Filosofia do Coração funda-se na escuta amorosa do sentimento sintrópico que expressa o nosso altruísmo biológico, ou  śraddhā. Este revela-se a partir do esforço de harmonizar as vias, contrárias e mutuamente excludentes, da ação e do conhecimento (jñānakarmasamuccaya-vāda).